Eu disse que ia falar nisto no último post. É certo que cada pessoa se adapta a um determinado método de arrumação, mas o meu método resultou da primeira vez que o utilizei e agora também! Embora determinadas coisas tenham tido um fim diferente.
Aquele que eu considero o melhor método é, sem dúvida nenhuma:
MUDAR DE CASA!
Agora mais a sério (mas só um bocadinho), descobri que quando uma pessoa decide mudar de casa é quando descobre a quantidade de tralha que tem. A primeira vez que tal pensamento me ocorreu foi quando estudava em Elvas. Ao final do primeiro semestre decidi que era mais rentável sair de uma casa alugada para a residência de estudantes.
Havia muita coisa que não ia precisar. Então comecei a separar o que precisava do que não precisava. No fim, apenas levei comigo a roupa e as coisas da faculdade. O resto, arrumei tudo e os meus pais levaram para casa deles. As coisas que não precisava encheram um patamar (1x6m). Ainda me lembro da minha avó me perguntar:
-"Isto é para levares para a residência?"
-"Não, avó. Isto é para voltar para casa."
Ainda hoje não sei como juntei tanta coisa apenas num quarto.
Agora, passados 10 anos dessa aventura, volto às mudanças de casa. E, mais uma vez, ocorre a situação de há 10 anos, em que se junta tanta coisa num quarto (3x3m, acho eu).
No último post, gozei um pouco (muito) com a situação de acumular coisas, mas a verdade é esta: temos o hábito de acumular coisas. "Ah, mas quando faço as limpezas gerais deito imensas coisas fora." Pois, mas estamos a comparar, num máximo, uma semana a deitar coisas fora com 51 semanas a acumular coisas. Não parece uma comparação sequer.
Actualmente, está na moda o método KonMari e, eu que estou constantemente a tentar vencer o meu espírito de acumulação de tralha, decidi dar uma espreitadela no livro de Marie Kondo. Fiquei impressionada pelo quão simples e, ao mesmo tempo, radical é o método dela.
-Não precisas? Deita fora.
-Mas posso vir a precisar.
-Agora não precisas, vai fora. Se precisares no futuro, arranjas outro.
E, na realidade, a frase "posso vir a precisar" tem o poder de nos tornar uns "hoarders". Claro que, quando pensamos nesta palavra ocorre-nos aquela imagem do tipo que se encafua num apartamento com uma colecção de jornais desde 1920. Creepy!
Esta lenga-lenga toda para explicar como mudar de casa permite a percepção da quantidade absurda de coisas que temos sem necessidade. Nas limpezas gerais, pegamos nas coisas e mudamos de um sítio para outro e não chegamos a apercebermo-nos da quantidade. Quando se muda de casa e temos de encaixotar as coisas é quando realmente vemos que afinal há mesmo muita coisa. E coisas que nem sequer nos lembrávamos que existiam (sim, eu tenho o carregador do Nokia 3310. E o Nokia 3310 também).
Se não puder mudar de casa, pode optar pelo método da Marie, porque ela "obriga-nos" a tirar tudo dos armários e das gavetas e juntar tudo na mesma divisão. Por isso, o efeito é o mesmo que mudar de casa.
Entretanto, vou continuar na minha busca pela felicidade com menos tralha e, quem sabe, um dia consigo.
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